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  • Bruno Brunelli

Zélio de Moraes

Atualizado: 30 de jan. de 2023



15 de novembro é o Dia Nacional da Umbanda, pela lei assinada pela presidenta Dilma Rousseff em 2012. Mas a data foi criada bem antes, na 1ª Convenção Anual do Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda, de 1976. Ela marca a primeira gira de Pai Zélio de Moraes na Tenda Nossa Senhora da Piedade, em 1908, quando "teria nascido" a Umbanda.


Zélio tinha desmaios inexplicáveis e foi até uma benzedeira, que recebia o preto-velho Tio Antônio. Eles descobriram que o problema era mediunidade. A família, então, o levou até a Federação Espírita de Niterói, onde o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou. Apesar de dizerem que o caboclo foi um padre jesuíta, os espíritas o consideraram menos evoluído por se apresentar como indígena. Por isso, decidiu criar um lugar para guias como ele.


Essa versão traz uma visão de país. A nova religião era perfeita para o mito das “três raças”, em que brancos, negros e indígenas estariam juntos na formação do Brasil. Mas, claro, com o branco na frente, considerado o mais evoluído. Isso se encaixa no momento da República, instituída em 1889, que tinha um projeto de priorizar os brancos, deixando de lado o que lembrasse a Colônia, o Império, os negros e indígenas. Não é à toa que dia 15 é também a Proclamação da República.


A religião afro-brasileira passa, então, a ser fundada por um homem branco e um padre, dissidentes de um centro kardecista. Mas essa história nunca foi uma unanimidade e outras vertentes, que tem foco nas heranças negras, sempre discordaram.


É importante olhar para o mito fundador com um olhar crítico, entendendo que ele nasceu no começo do século 20 e, assim como muitas outras coisas na época, foi uma tentativa de tirar da memória o que era considerado antiquado, segundo as elites políticas e econômicas.


Mas mesmo essa tentativa não apagou os indígenas e negros, que sobreviveram nas frestas: o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que se apresentou como um indígena trazendo a encruzilhada no nome; a benzedeira e Tio Antônio. E todos os caboclos e pretos-velhos que nos lembram dos braços que realmente construíram o Brasil.

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